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Plano de recuperação judicial: da preparação ao acompanhamento

O plano precisa relacionar a proposta aos credores com a capacidade de pagamento da empresa. Organizar os números e os prazos ajuda a tomar decisões durante o processo.

Conteúdo institucional da Reorigem · Atualização editorial em

O que é o plano de recuperação judicial?

É a proposta de reorganização apresentada no processo, com os meios de recuperação e as condições aplicáveis aos créditos sujeitos ao procedimento. A Lei nº 11.101/2005 exige, no artigo 53, a discriminação dos meios de recuperação, a demonstração da viabilidade econômica e um laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos, subscrito por profissional habilitado ou empresa especializada.

A preparação envolve trabalho jurídico e informações contábeis e financeiras consistentes. Um modelo genérico não substitui a análise da operação, dos contratos, das garantias e da composição dos credores.

Quais informações organizar antes de elaborar a proposta?

  • Caixa e operação: receitas, custos recorrentes, sazonalidade, capital de giro e investimentos necessários para continuar operando.
  • Credores e obrigações: valores, vencimentos, garantias, contratos e divergências que precisam ser conferidas.
  • Ativos: bens disponíveis, restrições e importância de cada ativo para a atividade da empresa.
  • Cenários: premissas de receita e despesa e alternativas caso a recuperação da operação seja mais lenta.
  • Calendário: decisões e publicações do processo, reuniões, entregas e responsáveis por atualizar cada informação.

Use o checklist de documentos para organizar as fontes dessas informações. Separe fatos confirmados de estimativas. Projeções precisam ter premissas identificáveis; números sem documentação dificultam a avaliação e a negociação.

Qual é o prazo para apresentar o plano?

No procedimento geral, o artigo 53 prevê apresentação em 60 dias da publicação da decisão que deferir o processamento, sob pena de convolação em falência. O marco inicial e o calendário devem ser conferidos nos autos pela equipe responsável.

Por isso, a organização dos dados deve começar antes do vencimento. Se sua empresa ainda prepara o pedido, conheça a página sobre requisitos e preparação da recuperação judicial.

Como avaliar as condições propostas aos credores?

Avalie se os pagamentos cabem no caixa projetado e quais atividades sustentam essa projeção. Prazo, carência e eventuais alterações nas condições das dívidas precisam ser analisados em conjunto com as regras aplicáveis e a situação de cada crédito. Não há um percentual de desconto ou uma condição universal que possa ser prometida antecipadamente.

Uma proposta compreensível explica as medidas operacionais, as fontes de recursos e os riscos. Também permite comparar o cenário previsto com a evolução real da empresa.

O que acompanhar depois da aprovação?

Organize uma rotina de conferência dos vencimentos, comprovantes, compromissos assumidos e fluxo de caixa. Defina quem consolida as informações e quem comunica desvios à equipe jurídica. Identificar dificuldades cedo permite avaliar as medidas cabíveis antes de perder prazos.

Se o processo já está em curso, reúna o plano vigente, as principais decisões e a posição atual dos pagamentos. Veja como funciona a análise de recuperações judiciais em andamento.

Como preparar a representação na assembleia de credores?

Reúna edital, plano e aditivos, documentos de representação e informações sobre o crédito e sua classificação. Confira as instruções de credenciamento e as decisões do processo.

O art. 37, § 4º, prevê a comprovação de poderes ao administrador judicial até 24 horas antes da data indicada para a assembleia. Examine também as exigências aplicáveis ao caso.

Prepare previamente os pontos de negociação e registre as versões efetivamente submetidas à deliberação. Após a reunião, confira ata, ressalvas e deliberações.

Baixar modelo neutro de procuração para assembleia (DOCX). A minuta exige adaptação dos poderes e revisão antes do uso.

Como testar se a proposta cabe na operação?

Da premissa ao teste da proposta
InformaçãoO que sustenta a estimativaPergunta que precisa de resposta
RecebimentosHistórico, contratos, prazos dos clientes e restrições sobre recebíveis.Quando o dinheiro fica efetivamente disponível?
Custos e capital de giroCompras, folha, tributos correntes, estoques e manutenção.Quanto precisa permanecer na empresa para realizar a próxima entrega?
Pagamentos do planoCondições por classe, indexadores, carência e datas de início.As parcelas cabem também nos meses de menor geração de caixa?
Obrigações fora do planoDívidas não sujeitas, despesas do processo e outros compromissos.O mesmo recurso foi prometido a mais de uma finalidade?
Venda de ativos ou financiamentoDocumentos, condições, autorizações necessárias e prazo provável.A entrada é confirmada ou depende de um evento ainda incerto?

Exemplo fictício: sobra de caixa não é faturamento

Considere um mês com R$ 300 mil de recebimentos efetivamente disponíveis e R$ 250 mil de saídas operacionais, já incluindo a necessidade de giro desse mês. Restam R$ 50 mil antes de outras obrigações. Se R$ 30 mil forem destinados a compromissos fora do plano, sobram R$ 20 mil. Uma parcela de R$ 35 mil produziria uma insuficiência de R$ 15 mil nesse recorte, mesmo com vendas elevadas.

O exemplo é simplificado: investimentos, custos do processo e outras saídas precisam ser incorporados quando existirem. A conclusão útil é testar o calendário completo, não transformar um mês favorável em promessa de pagamento para todos os demais.

No cenário de estresse, examine atrasos de recebimento, redução de margem e aumento de custos. Identifique qual premissa produz a falta de caixa e qual medida concreta poderia enfrentá-la. Não basta reduzir todas as linhas por um percentual arbitrário.

Plano, viabilidade e avaliação: qual é a função de cada material?

O art. 53 conecta a proposta de recuperação à demonstração de viabilidade e ao laudo econômico-financeiro e de avaliação dos bens e ativos. Os modelos abaixo dividem a preparação por assunto; essa organização não altera o conteúdo exigido pela lei.

Três materiais que precisam conversar entre si
MaterialO que desenvolverConferência entre documentos
Plano de recuperação judicial (DOCX)Medidas de recuperação, tratamento dos créditos, condições, cronograma e compromissos.O fluxo projetado reproduz as mesmas parcelas, datas e indexadores?
Laudo de viabilidade (DOCX)Premissas, projeções, cenários, riscos e conclusão do responsável técnico.As receitas e as fontes de recursos têm suporte e respeitam as restrições conhecidas?
Avaliação de bens e ativos do imobilizado (DOCX)Inventário, estado dos bens, método, pesquisa, cálculos e limites da avaliação.Valor contábil, valor estimado de mercado e entrada líquida de uma eventual venda estão diferenciados?

O modelo de avaliação do imobilizado tem esse recorte específico: o responsável deve examinar se outros bens, direitos ou ativos também precisam integrar o trabalho. Não atribua automaticamente o valor de avaliação ao caixa disponível. Custos, gravames, condições jurídicas e tempo de realização podem alterar a entrada efetiva.

Os arquivos são estruturas neutras. Não contêm uma conclusão prévia de viabilidade, desconto recomendado ou autorização de venda. As assinaturas e a qualificação técnica devem corresponder ao trabalho efetivamente realizado.

Organize o acompanhamento da execução

Use o quadro de compromissos e comprovantes para registrar cada obrigação, seu marco inicial, a data conferida e a referência documental. O arquivo pode ser baixado para o controle interno da empresa.

O que muda entre apresentar, aprovar e cumprir o plano?

A apresentação abre a discussão da proposta; não equivale à aprovação pelos credores nem à concessão judicial da recuperação. Objeções, deliberação e concessão obedecem ao procedimento legal. A aprovação também não comprova, por si, que todas as premissas econômicas se realizarão.

Durante a negociação, cada alteração relevante precisa retornar à projeção: antecipar uma parcela, mudar um índice ou criar uma obrigação pode consumir o caixa que sustentava outra condição. Guarde a versão apresentada, os aditivos, a ata e a decisão, com identificação do texto efetivamente aplicável.

Após a concessão, registre para cada obrigação: credor, condição, marco inicial, vencimento, cálculo, responsável e comprovante. O período de fiscalização judicial do art. 61 não deve ser confundido com o prazo total de pagamento. O encerramento do processo não apaga prestações futuras; os arts. 61 e 62 tratam das consequências do descumprimento em momentos distintos.

Fontes e alcance deste guia

Lei nº 11.101/2005, texto atualizado: arts. 37, § 4º; 53 a 59; 61 e 62.

Fontes consultadas em 18/09/2026. As orientações de organização e os exemplos são explicações da Reorigem; os exemplos fictícios não retratam clientes. O texto trata de regras gerais e não substitui a análise dos documentos e das decisões de um processo. Conheça nossos critérios editoriais e o canal de correções.

Veja a leitura aplicada a documentos públicos

No estudo dos planos de Americanas e Light, distinguimos entrada de dinheiro, capitalização de dívida e condições de implementação, com referências para conferência.

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